Lidar com a dor

Há 8 meses que tenho dores. Dores físicas, emocionais. Dor psicológica, dor espiritual. No princípio era só um incómodo menor e só doía ao fazer certos movimentos. Mas com o tempo começou a ser mais forte e tornou-se permanente. Algo com que aprendi a viver, que se tornou parte de mim. A minha melhor amiga e a minha pior inimiga.

Neste processo, passei por diferentes etapas. Primeiro neguei. Tentei fazer a dor desaparecer, fingi que não estava aqui. Então percebi que não seria assim tão fácil, que não ia embora. Na verdade piorou, chamando cada vez mais a minha atenção, dizendo-me que não iria embora até que eu escutasse o que tinha para me dizer.

Então eu disse: “Ok, o que queres de mim?” Parei e tentei ouvir. Eu estava lá, disposta a isso, mas aparentemente não conseguia entender o que me dizia. Então a dor começou a gritar tão alto que se tornou insuportável. Percebi que era sério, e decidi então expor-me à experiência e perceber as suas mensagens. E uma nova porta se abriu dentro de mim. Uma maneira totalmente nova de olhar para dentro, de aceitar, de lidar com o assunto. Uma viagem que tem sido literalmente dolorosa, mas que me tem ensinado muito.

As coisas acontecem por um motivo e eu realmente acredito nisso. As minhas práticas de yoga e meditação têm-me ajudado muito neste processo, e ainda ajudam, porque esta viagem ainda não acabou, é apenas o início.

Partilho o que me tem ajudado ao longo deste caminho:

1. Movimento – não parem. Eu sempre gostei e senti a necessidade de movimentar o meu corpo, fosse indo ao ginásio, ou praticando yoga, ou caminhando ou correndo. Nestes últimos anos, depois que tive os meus filhos, parei de ir ao ginásio e tenho só praticado yoga em casa. Quando a dor começou na minha articulação sacro-ilíaca e anca, eu tive que parar com minha prática diária de Ashtanga yoga e reconsiderar outras formas de movimentar o meu corpo. Descobri que parar não era uma opção porque isso significava que a energia deixaria de fluir. Então tenho tentado ir ao meu tapete todos os dias ou pelo menos 4-5 vezes por semana para respirar e mover o meu corpo. Seguindo o que o corpo me pede, libertando tensão na parte superior das costas e ombros e em redor dos glúteos. A energia flui e sinto-me muito melhor depois.

2. Meditação – parem e sentem-se com a respiração. Esta prática tem sido bastante terapêutica para mim e uma ferramenta muito importante para me manter sã. Ajudou a aliviar as flutuações da mente e a tendência para racionalizar tudo. Também me permitiu olhar dentro da minha dor e sentar com ela observando-a, em vez de reagir e tentar fugir. Como parte de uma prática de mindfulness, tem-me ajudado a viver o momento presente, uma respiração de cada vez.

3. Psicoterapia – uma ótima ferramenta para olhar para dentro. Perceber de onde vem a dor e quais são suas mensagens. Colocando essas mensagens num contexto mais elevado para que eu possa viver com elas, aprenda com elas e curar-me de todas as formas possíveis. Porque todas as dores têm algo mais para nos ensinar do que o mero aspecto físico.

4. Amor-próprio – ninguém vai amar-vos e cuidar de vocês como vocês próprios. Aprender a aceitar o meu corpo como é, com dor e tudo; amá-lo, sentindo compaixão. Tratando-me como um ser inteiro.

5. Encontrem a vossa essência – e mantenham-se conectados a ela. Aquela parte de quem eu sou que às vezes se perde no meio de estar ocupada, que é esquecida, mas que precisa de conexão. Este processo tem sido extremamente poderoso e curativo para mim.

E agora estou prestes a embarcar noutra viagem ainda, de cura e autodescoberta mais profundas. Mas sobre isso e sobre a minha cirurgia, escreverei noutra altura!

You may also like

Leave a comment